para ouvir ao som de Besame Mucho, versão de João Gilberto...
Quando se é calor assim a pele passa queimando em plena sombra... e segue por toda noite.
Abriu seus olhos verdes me fitando com dor:
-Isso é seu?
Permaneci sentado... quieto. Voltei a observar a sombra comendo de pouco em pouco meus pés. Isso é meu? Repeti incansavelmente sua pergunta... E se fosse? O que faria com isso? Aliás... que seria isso? Levantei a cabeça de leve e senti o terrível peso da minha atitude. Desejei por um instante sumir, ser abocanhado com tudo pela sombra que agora já estava na altura de meus joelhos. Seu olhar era qualquer coisa de desespero, de triste... Transbordei em lágrimas. Quanta dor. Em seus olhos milhares de naufrágios, pedidos de socorro. Me desesperei e acabei gritando antes que.
- É NOSSO!
Seu corpo dobrou na mesma hora, contorcendo-se. Como se ela tivesse levado uma facada, de dentro para fora.
-Não, essa ilusão é tua. Toda tua.
Levantei num pulo e a agarrei pela cintura. Pressionei-a contra meu corpo e soprei de leve em seu ouvido.
-É nosso...
Ela me apertou com toda força que tinha e começou a chorar em meu colo. Ficou ali abraçada até seus musculos começarem a tremer devida tamanha a força usada. Relaxou de leve os braços e chorando disse:
-Não me iludo.
Antes mesmo de terminar a frase me abraçou novamente com mais força ainda.
-Não me iludo, não me iludo, não me, não... abafando sua fala em meu peito.
Levantei de leve seu queixo...
-Não tenhas medo.
Ela complementou:
-Quem chega um dia; no outro há de partir.
-Então beija-me, beija-me muito...
Quando se é calor assim a pele passa queimando em plena sombra... e segue por toda noite.
Abriu seus olhos verdes me fitando com dor:
-Isso é seu?
Permaneci sentado... quieto. Voltei a observar a sombra comendo de pouco em pouco meus pés. Isso é meu? Repeti incansavelmente sua pergunta... E se fosse? O que faria com isso? Aliás... que seria isso? Levantei a cabeça de leve e senti o terrível peso da minha atitude. Desejei por um instante sumir, ser abocanhado com tudo pela sombra que agora já estava na altura de meus joelhos. Seu olhar era qualquer coisa de desespero, de triste... Transbordei em lágrimas. Quanta dor. Em seus olhos milhares de naufrágios, pedidos de socorro. Me desesperei e acabei gritando antes que.
- É NOSSO!
Seu corpo dobrou na mesma hora, contorcendo-se. Como se ela tivesse levado uma facada, de dentro para fora.
-Não, essa ilusão é tua. Toda tua.
Levantei num pulo e a agarrei pela cintura. Pressionei-a contra meu corpo e soprei de leve em seu ouvido.
-É nosso...
Ela me apertou com toda força que tinha e começou a chorar em meu colo. Ficou ali abraçada até seus musculos começarem a tremer devida tamanha a força usada. Relaxou de leve os braços e chorando disse:
-Não me iludo.
Antes mesmo de terminar a frase me abraçou novamente com mais força ainda.
-Não me iludo, não me iludo, não me, não... abafando sua fala em meu peito.
Levantei de leve seu queixo...
-Não tenhas medo.
Ela complementou:
-Quem chega um dia; no outro há de partir.
-Então beija-me, beija-me muito...